"O mundo gira, a vida muda, a fila anda..." Deise Batista

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Peles Vermelhas



Praia? Só se tiver ar-condicionado!
Um sol de derreter asfalto
Praia, no Rio, é sinônimo de horror.
Meu amarelo escritório, tom de pele escolhido
Deve durar até a morte.
Difícil entender o povo que lota carros
Pega trânsito
Briga por vaga pra estacionar
Perde a paciência e estaciona mesmo em local proibido
Pra depois ter que ir aos depósitos pagar multas altíssimas
E recuperar seus carros guinchados pela prefeitura.
É um prazer meio esquisito
Disputar palmos de areia pra enfiar um guarda sol
Ver milhares de corpos seminus, lambuzados de óleo
Areia grudada e suor.
Tudo isso misturado aos ambulantes de mate, biscoito, sanduba natural e pulseiras hippie.
Tem sempre um miserável que sacode a toalha, distribuindo areia
Nos olhos dos distraídos
Ou dois, jogando o infeliz frescobol
Que sempre acerta a doída bola na pele ardida de alguém.
Mas o melhor das praias no verão do Rio
São as águas vivas
E os milhares de daltônicos
Que nunca entendem o significado das bandeiras vermelhas.
Depois de torrados e moídos
O lugar apertado no carro já não é tão divertido
A pele ardida não suporta mais calor
Irradiando uma vermelhidão marcianamente absurda.
A dez por hora, segue o cortejo dos pele-vermelha
Engordando a fila dos tantos outros irritados que
Com a desculpa de aliviar o calor
Ignoram solenemente a lei seca
Comprando cerveja nos ambulantes, com seus isopores sempre de plantão.

domingo, 23 de janeiro de 2011


"A loucura pode ser um fragmento...ou uma eternidade." 
                                                                                          Deise Batista

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Relembrança




Casa verde
Teto roto
Jardim amarelo, nada de flores.
Paredes velhas
Telhado de vidro
Mulher de chinelos, robe rasgado.

Os gatos malhados
Folgados, sem pêlos
Gatos sarnentos
Unhas finíssimas...
Grunhidos, miados
Angustiantes.

A rua de barro
Poeira vermelha
Barulho de carro
Na esquina do vento
E a vida... a vida?
No esquecimento.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Deus Único, singular e para sempre!

Toquei nos dedos de Deus, um dia
Senti Seu amor percorrendo minha alma, varrendo meu ser
Uma paz que jamais conhecera
Inundou minha vida de tal maneira
Que nunca mais fui a mesma.
Ainda erro, minhas falhas são visíveis
Mas meu Senhor me olha com misericórdia
Me segura em Seus braços de amor
E segreda ao meu espírito:
"Filha, eu já perdoei seus pecados
Meu filho esteve na cruz em seu lugar"
Amo a Deus de tal maneira
Que não saberia viver
Se Ele não estivesse a meu lado.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Contando estrelas


Contando estrelas puder ver a noite
Ponteada de brilho, em plena escuridão.
Sem conter minha alma
Ao som de Dulce Pontes
Apaguei as fontes de meus dois faróis
E me deixei guiar por pura emoção.
O breu da noite, na serra gelada, me brindou com 
O mais belo quadro que Alguém já pintou
E mesmo entre a montanha e o abismo
Por instante fiz-me parte do clarão.
Tão poucos segundos
Me marcaram a vida
gravando na retina
A noite mais linda que já pude ter.
O céu escuro, tudo escuro em volta
Deixava pra lua e milhares de estrelas
O dom de aparecer!
Grata pelo quadro, religuei as luzes
Para ver a estrada
E a voz embargada me deixava claro
Que aquele instante
Só uma vez na vida!
Eu poderia ver.
E você quer saber?
Eu vi!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bússola



A lua pendurada no escuro
estrelas coladas no espaço negro.
Caiu o véu cinza das nuvens
molhando tudo o que vejo.
Meu coração espera cansado
Meus olhos doem
Não quero ver além do muro.
Estou lotada de memórias
Cansada de esperar vitórias
Cheia de tantas histórias
E nada.
Este cheiro da tua pele me condena
Diz o que tanto luto pra esconder
Minhas mãos ficam tão fracas
Sem tuas costas sob as palmas
Travo a luta dos abandonados
Ando em círculos
Perco o rumo.
Estou sem chão e é definitivo
Não sei fingir que posso respirar.
Tenho todas as respostas que buscava
Mas já não quero perguntar mais nada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Gente


Tudo é simples quando não há saudade
Quando a vaidade dá lugar ao riso.
Tudo passa quando a gente insiste
Quando não desiste de enfrentar os dias.
Tudo é calma quando a alma é livre
Liberdade custa mas é alcançável.
Tudo é um rio de possibilidades
Quando os passos não são tímidos
Quando os pés sabem onde vão.
Os meus?
Andaram léguas na direção errada
E tantas outras na certa.
E o que é erro além de escolha?
Então,
Se posso escolher
E isso é direito adquirido
Escolho gente
Porque gente erra
Mas gente também afaga.
Gente sempre vale à pena.