"O mundo gira, a vida muda, a fila anda..." Deise Batista

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Viadutos de gente!




Pés embaralhados pelas ruas

Pessoas que se esbarram e não se vêem.

Dezenas, centenas, milhares
Todo santo dia!
Não vejo um décimo das pessoas pelas quais passo
Com as quais, às vezes, apenas troco olhares.
Não são mais os mesmos dias dos cumprimentos nas calçadas
Da vida sem pressa, da vida com graça.
A frase que mais me chamou a atenção nos últimos dias
Mudou o ritmo humano dos andares
Nos dias de hoje, dias urgentes
Não há mais passarelas
Há viadutos de gente!

sábado, 24 de março de 2012

Clarões


Se bem me lembro
Era um dia assim, clarões no céu, 
uma chuva anunciando sua chegada.
Se bem me lembro
Não era quase nada.
A alma, às vezes estranha um barulho incontrolável no céu
Se este, está longe demais do seu alcance...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

POSSIBILIDADE



Outros olhos
Outra boca
Outras mãos
Outros sonhos.
Novos ares
Novos gestos
Novos projetos.
Antigos preconceitos
Antigos medos.
Velhos dilemas
Velhos paradigmas.
Eu de novo
Esperança em punho
Cega no abismo.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sem peso...


Ah, o coração! A vida inteira bate, apanha e surpreende!!!

É impressionante a capacidade que o coração tem de nos enganar. Sim, enganar!
Coração é tudo, menos cauteloso.

Fácil de ferir, quebra com facilidade, infla-se de mágoas, amores, ódios...
"Coração...terra que ninguém anda".

Feliz, vejo meu coração absolutamente livre, limpo, renovado e sem peso!

Nunca imaginei ver meu coração sem o cinza do cimento que quase o enterrou,
E perceber a leveza do meu sorriso
Vindo diretamente dele
Alegra-me a alma.

Iniciar um novo ano com um coração livre de amarras, leve e solto
Faz de mim uma mulher com esperanças renovadas
Desejos refeitos
Novas expectativas 
E pele boa!

Quero novamente caminhar na areia, olhando o mar, sem pretensões
Estou pronta para vento nos cabelos
Gotas de chuva em forma de música, no telhado ou na janela.

E o melhor de tudo: a cada dia me sinto mais bonita
Nada torna uma mulher mais linda do que um coração novo
E o meu acaba de sair do forno, onde se perdeu por anos.

Mas, como todo cristal, quanto mais calor, mais beleza,
Mais adquire leveza!




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Posso dizer com todas as letras: sou uma vencedora...

...e o sorriso é de verdade!!!!
"Têmpera as deusas têm é têmpera
Pura magia e têmpera, pura energia e têmpera
Temperatura e paixão.

É que as mulheres sempre estão
É que as mulheres sempre dão
É que as mulheres sempre são, sempre serão
A chave do seu tempo, o charme de uma etapa
O tapa na acomodação
O vírus da alegria, o amor
E o nó da solidão

O brilho e a explosão da estrela
Alimentando corações...têmpera!

Têmpera mulheres têm é têmpera!
Pura energia e têmpera
Pura magia e têmpera
Têmpera!" 
                                                         -Gonzaguinha-



terça-feira, 7 de junho de 2011

SMS


Te amo como a água que encontra calmamente o rio, deslizante e suave.
Te amo como a chuva que desce na agonia de encontrar a terra e dar de beber às flores.
Amo como pássaro pousado em galho verde repleto de vida e alimento.
Amo e amo tanto
Que me falta o ar, mesmo contra o vento.
Assim te amo; com calma e com pressa
Coração aos pulos, numa espera que não cessa...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Peles Vermelhas



Praia? Só se tiver ar-condicionado!
Um sol de derreter asfalto
Praia, no Rio, é sinônimo de horror.
Meu amarelo escritório, tom de pele escolhido
Deve durar até a morte.
Difícil entender o povo que lota carros
Pega trânsito
Briga por vaga pra estacionar
Perde a paciência e estaciona mesmo em local proibido
Pra depois ter que ir aos depósitos pagar multas altíssimas
E recuperar seus carros guinchados pela prefeitura.
É um prazer meio esquisito
Disputar palmos de areia pra enfiar um guarda sol
Ver milhares de corpos seminus, lambuzados de óleo
Areia grudada e suor.
Tudo isso misturado aos ambulantes de mate, biscoito, sanduba natural e pulseiras hippie.
Tem sempre um miserável que sacode a toalha, distribuindo areia
Nos olhos dos distraídos
Ou dois, jogando o infeliz frescobol
Que sempre acerta a doída bola na pele ardida de alguém.
Mas o melhor das praias no verão do Rio
São as águas vivas
E os milhares de daltônicos
Que nunca entendem o significado das bandeiras vermelhas.
Depois de torrados e moídos
O lugar apertado no carro já não é tão divertido
A pele ardida não suporta mais calor
Irradiando uma vermelhidão marcianamente absurda.
A dez por hora, segue o cortejo dos pele-vermelha
Engordando a fila dos tantos outros irritados que
Com a desculpa de aliviar o calor
Ignoram solenemente a lei seca
Comprando cerveja nos ambulantes, com seus isopores sempre de plantão.

domingo, 23 de janeiro de 2011


"A loucura pode ser um fragmento...ou uma eternidade." 
                                                                                          Deise Batista

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Relembrança




Casa verde
Teto roto
Jardim amarelo, nada de flores.
Paredes velhas
Telhado de vidro
Mulher de chinelos, robe rasgado.

Os gatos malhados
Folgados, sem pêlos
Gatos sarnentos
Unhas finíssimas...
Grunhidos, miados
Angustiantes.

A rua de barro
Poeira vermelha
Barulho de carro
Na esquina do vento
E a vida... a vida?
No esquecimento.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Deus Único, singular e para sempre!

Toquei nos dedos de Deus, um dia
Senti Seu amor percorrendo minha alma, varrendo meu ser
Uma paz que jamais conhecera
Inundou minha vida de tal maneira
Que nunca mais fui a mesma.
Ainda erro, minhas falhas são visíveis
Mas meu Senhor me olha com misericórdia
Me segura em Seus braços de amor
E segreda ao meu espírito:
"Filha, eu já perdoei seus pecados
Meu filho esteve na cruz em seu lugar"
Amo a Deus de tal maneira
Que não saberia viver
Se Ele não estivesse a meu lado.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Contando estrelas


Contando estrelas puder ver a noite
Ponteada de brilho, em plena escuridão.
Sem conter minha alma
Ao som de Dulce Pontes
Apaguei as fontes de meus dois faróis
E me deixei guiar por pura emoção.
O breu da noite, na serra gelada, me brindou com 
O mais belo quadro que Alguém já pintou
E mesmo entre a montanha e o abismo
Por instante fiz-me parte do clarão.
Tão poucos segundos
Me marcaram a vida
gravando na retina
A noite mais linda que já pude ter.
O céu escuro, tudo escuro em volta
Deixava pra lua e milhares de estrelas
O dom de aparecer!
Grata pelo quadro, religuei as luzes
Para ver a estrada
E a voz embargada me deixava claro
Que aquele instante
Só uma vez na vida!
Eu poderia ver.
E você quer saber?
Eu vi!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bússola



A lua pendurada no escuro
estrelas coladas no espaço negro.
Caiu o véu cinza das nuvens
molhando tudo o que vejo.
Meu coração espera cansado
Meus olhos doem
Não quero ver além do muro.
Estou lotada de memórias
Cansada de esperar vitórias
Cheia de tantas histórias
E nada.
Este cheiro da tua pele me condena
Diz o que tanto luto pra esconder
Minhas mãos ficam tão fracas
Sem tuas costas sob as palmas
Travo a luta dos abandonados
Ando em círculos
Perco o rumo.
Estou sem chão e é definitivo
Não sei fingir que posso respirar.
Tenho todas as respostas que buscava
Mas já não quero perguntar mais nada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Gente


Tudo é simples quando não há saudade
Quando a vaidade dá lugar ao riso.
Tudo passa quando a gente insiste
Quando não desiste de enfrentar os dias.
Tudo é calma quando a alma é livre
Liberdade custa mas é alcançável.
Tudo é um rio de possibilidades
Quando os passos não são tímidos
Quando os pés sabem onde vão.
Os meus?
Andaram léguas na direção errada
E tantas outras na certa.
E o que é erro além de escolha?
Então,
Se posso escolher
E isso é direito adquirido
Escolho gente
Porque gente erra
Mas gente também afaga.
Gente sempre vale à pena.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pegar ou largar


Me leve pra longe
Onde eu possa dizer o que penso sem medo das interpretações.
Me leve veloz
Onde minha voz ecoe como um grito dado à beira do precipício prestes a engolir-me.
Me leve sem pressa
Pra que eu possa ver as migalhas jogadas ao vento sem necessidade.
Me leve de trem
Por onde habite a colina e os trilhos no despenhadeiro.
Me leve sem som
Pra que meus pensamentos não sejam de maneira alguma interrompidos
Me leve sem hora
Pra que os ponteiros não me façam ameaças, ainda que veladas.
Me leve à sério
Sabendo que o tempo é voraz e não perdoa.
Me leve madura
Não sei mais fingir que não entendo o que me salta aos olhos.
Me leve com possibilidade
De me deixar à sós ou dar conta de ter-me por perto.
Me leve sem medo
Não sei desenhar o que se lê no ar
E se, o medo se fizer arremedo para evitar o que lhe é proposto
Urgentemente
Me traga de volta...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Casa de Fazenda



Árvores por todos os lados
Na subida, pedras.
O ar é outro, sutil, leve, puro!
O teto alto e as madeiras emolduram arte
Pra onde olho, relíquias, lembranças, memória.
Pelas frestas das janelas raios de sol e som de pássaros
Pela janela da frente, água, ininterrupta.
A noite cai depressa e o som de centenas de grilos 
apresenta a chegada da lua
Quantas estrelas!
Cheiro doce das flores noturnas
Frio gostoso do respirar das plantas, do desvio das montanhas.
Parece que ali, o mundo passa mais lento
Tal é paz que se respira dentro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dependência

Rio, essa cidade-insônia!
O movimento madrugada a dentro
Luzes beirando a Lagoa.
Cidade cortante que atravessa minha carne
Rio, meu vício, meu hospício!
Noites que me alimentam
Cheias de barulhos e presenças.
Cidade feita de versos
Calçadas feitas de lua.
Rio dos mares, das areias
Rio dos olhares, do Arpoador!
Essa maresia no ar da madrugada
Enclausurando os desejos
Trazendo imagens.
A brisa quente que embala os amores...
Sinto saudades, cidade; dos bares da Barra,
Da varanda na Lagoa, dos braços do Cristo, dos aplausos!
Há um buraco em meu peito, faltam um piano e um palco.
Te vejo em breve meu Rio,
Com um sorriso nos lábios e um desejo enorme
De me perder em teus braços!

domingo, 10 de outubro de 2010

Olhos

Sou um ser de asas
Buscando o contra-vento
Para lançar-me em vôo livre
A céu aberto.
Risco o azul todos os dias
Olhos fechados
E vento!
Olhos de águas infindas
Olhos que, fechados, voam
E abertos
Caem no abismo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como matar um amor

Há um tempo atrás, acreditava que amor verdadeiro não morria. Com o tempo, descobri que há coisas que, quando cometidas, vão esmagando, tolhindo, lancetando e sufocando o sentimento, acabando por deixá-lo absolutamente impossível de viver.

Não são desconhecidas as causas, são flagrantes e muito simples. Enfim, amor é frágil.

Um tanto de engano, em pouco de maldade, ciúmes, mentiras, desonestidade.

O amor é forte, "forte como a morte", porque vive na memória, no fundo da mente, ainda que, no coração tenha-se ido, completamente.

A pior forma de matar um amor é de ódio!

Parece contra senso mas, amor morre de ódio. Perde-se a confiança, enxerga-se a covardia, percebe-se a maldade, sente-se o egoísmo, a desonestidade, descobre-se a mentira e, esta, que nunca consegue se esconder de verdade, é letal.

Mentir para alguém que diz amar é o pior dos estratagemas e, o frágil amor, que por mais forte que pareça ser, quebra-se como vidro.

"Era vidro e se quebrou..."

Quer matar um amor? A receita mais poderosa é: minta pra quem você ama.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cheiro de Madrugada


Era sombra.

O canto dos pássaros

nas árvores
Parecia Presságio
Algo invisível
Prestes a saltar sobre nossas gargantas.
Era sábado
Um dia estranho
Dia de carros lavados nas calçadas
Pessoas cansadas à espera da noite
Apostando seus dados
Em momentos.
Era noite
Úmida, carcomida por odores misturados
Corrompida por incautos mal intencionados
Lotada de ruídos, lágrimas e gargalhadas.
Era madrugada
Um cheiro que só madrugada tem
Ruas quase sem ninguém
O arrependimento pousando por dentro
Com suas asas de couro
E o horizonte cor-de-ouro...
O domingo

Jogando fora o ontem

Rasgando a noite como um papel molhado.
Molhado como o chão da madrugada
Que, insistentemente, quer ser minha.